66,4% dos óbitos infantis em Sergipe são evitáveis e expõem falhas graves na saúde do Estado

66,4% dos óbitos infantis em Sergipe são evitáveis e expõem falhas graves na saúde do Estado

Dados apresentados durante reunião do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Sergipe, realizada na semana passada, revelaram um cenário alarmante na rede pública de saúde do estado. Segundo informações debatidas no encontro, 66,4% dos óbitos infantis registrados foram classificados como evitáveis, um índice que escancara falhas estruturais graves na assistência oferecida a gestantes e recém-nascidos.

O alerta foi reforçado pela deputada estadual Linda Brasil na ALESE que destacou a gravidade dos números apresentados. Para a parlamentar, quando a maioria das mortes é considerada evitável, isso indica que o problema não está apenas em fatores biológicos ou imprevisíveis, mas principalmente em falhas do próprio sistema de saúde.

Durante a reunião, foi apontada uma carência significativa de profissionais em diversas áreas da rede estadual, o que compromete diretamente o atendimento prestado nas unidades de saúde. A falta de equipes completas e estáveis tem impacto direto no acompanhamento das gestantes, no atendimento durante o parto e na assistência neonatal, etapas decisivas para evitar complicações e mortes.

Outro ponto levantado foi a insuficiência das escalas médicas, especialmente na pediatria. Segundo informações apresentadas por representantes do próprio comitê e do sindicato da categoria, as escalas atuais não são consideradas satisfatórias para garantir um atendimento adequado nas maternidades da rede pública.

Além da falta de profissionais, também foi criticada a ausência de uma política pública permanente de contratação, que assegure estabilidade e continuidade na atuação das equipes. Sem essa estrutura, o sistema de saúde passa a funcionar de forma precária, com alta rotatividade e dificuldades para manter equipes completas, o que compromete a qualidade da assistência.

Os dados discutidos no encontro mostram ainda que parte dessas mortes está associada a causas como sepse bacteriana, prematuridade e malformações congênitas — condições que, em muitos casos, podem ser prevenidas ou melhor tratadas com acompanhamento adequado durante o pré-natal, assistência qualificada no parto e cuidados neonatais eficazes.